"Reminescence" - Mariana - 8º Capítulo

"Reminescence" - Mariana - 8º Capítulo

 

 

-Bella. - a minha garganta ardeu como se nela estivesse instalado um metal em brasa. Não devido ao cheiro do seu sangue mas sim ao facto de ter de dizer o seu nome quando estava prestes a...deixá-la. Para sempre. Para o seu próprio bem. - Vem dar uma volta comigo pela floresta.
Ela acenou com a cabeça, afirmativamente. Estava entorpecida com a minha atitude nos últimos dois dias. Por vezes, tinha a ligeira impressão de que ela sabia exactamente o que eu lhe ia fazer. Ou talvez não.
Suspirei profundamente e caminhei à sua frente em direcção à densa floresta verde. Parei a meio caminho do trilho e voltei-me na sua direcção.
A agonia pulsava violentamente dentro de mim e ameaçava deitar-me abaixo ao mínimo reflexo da minha parte. Tentei recompor-me e lembrar-me do bem que lhe faria se eu me fosse embora.
-Bella, nós vamos embora de Forks. - a minha voz saía fria como gelo e cortante como uma navalha. Tentei aligeirá-la. Não queria magoá-la mais do que o estritamente necessário.
Ela surpreendeu-me ao acenar novamente com a cabeça.Parecia pronta, parecia que já...tinha meditado naquilo. Na hipótese de eu a deixar.
-Tenho de pensar nalguma coisa para dizer ao Charlie e tens de dar-me mais alguns dias para arrumar as minhas coisas e para lhe dar a notícia... - a sua voz esmoreceu enquanto olhava para a expressão do meu rosto. Eu não queria acreditar que ela tinha sequer pensado em vir connosco. Comigo, depois de tudo aquilo que eu lhe fizera! Não, não, não. Uma parte demasiado grande e egoísta de mim lutava contra aquela que era consciente e madura. Lutava contra o desejo ardente de aceitar as suas palavras. De pegar nela e levá-la comigo, para longe dali, para estarmos sozinhos. Para toda a eternidade.
Ela continuava a olhar-me fixamente. Não tinha qualquer expressão no seu rosto.
Passados alguns minutos, vi-lhe o primeiro rasgo de emoção, quando compreendeu finalmente a quem eu me referia.

-Quando dizes "nós"...
-Refiro-me a mim e à minha família.
Os seus joelhos começaram a tremes e ela caiu no chão.
-Porquê? - perguntou, num murmúrio de voz.
-As pessoas começam a desconfiar...que nós não envelhecemos. Temos de ir.
Eu mentia demasiado bem.
-Eu quero ir convosco.
Não, não, não. Ela não podia estar a fazer-me isto. Eu tinha que deixá-la...ela não podia estar comigo quando eu a impedia de ter uma vida longa, plena, feliz...humana.
-Bella, eu não sirvo para ti. - e era a mais pura das verdades.
-Não digas isso, Edward! Tu és a pessoa mais indicada para mim. Eu amo-te.

No meu interior travava-se uma das mais épicas batalhas que o Mundo alguma vez vira. Eu precisava de abraçá-la, mas não podia.
Respirei fundo. Estava pretes a cometer o maior erro de toda a minha existência. Nunca, jamais eu me achara capaz de fazer tal coisa. Não desde que a conheci. Mas estava pretes a fazê-lo. Para o bem dela. E era isto, mais do que qualquer outra acção minha, que mostrava o quanto a amava.
-Bella, eu não quero que tu venhas. Tu não serves para mim. - aquelas palavras acertaram em cheio, como uma flecha envenenada, mesmo no coração. No dela e no meu. Naquela preciso instante, em que a dor e o choque lhe tomavam as feições do rosto, senti que me arrancavam o coração do peito. Com força, exagerada força.
Estava na hora. Tinha de ir. No entanto, tinha que ter a certeza de que ela me prometia algo...
-Por favor, não faças nada que ameace a tua vida. Não faças nada estúpido ou perigoso. Pelo Charlie.
Inclinei-me e, por uma última vez, beijei-a na testa.

publicado por mrsCullen às 14:52