Fanfic: "Reminescence" - Mariana - 10º Capítulo

"Reminescence" - Mariana - 10º Capítulo

 

 

*Setembro*


*Outubro*


*Novembro*

 


A felicidade e o tempo são coisas estranhas, quando estão conjugadas na mesma frase.
Às vezes, estamos tão felizes que desejamos com todas as nossas forças que a nossa vida nunca acabe.
Estamos tão felizes que cada batida do coração, cada fôlego, cada toque de quem nós amamos vale por mais do que mil pedras preciosas.
Estamos de tal modo realizados, que nem sequer nos apecebemos do que se passa à nossa volta.
No entanto, por vezes somos tão miseráveis que só desejamos que nos matem.
De quando em vez, um barulho desperta a nossa atenção e desvia-nos dos nossos fins, apenas por nos fazer pensar que pode ser algo diferente.
No estado em que eu me encontrava naquele momento, o que eu mais queria era uma morte rápida e indolor.
Eu parecia um selvagem, um vagabundo por entre mundos estranhos.
Tudo o que me rodeava era demasiado nítido, exageradamente definido.
A minha atenção era projectada para todo e qualquer ruído que pudesse indicar presença.
A minha mente navegava livremente, voando para recantos escondidos por entre as árvores e a terra batida.
Lembrava-me frequentemente, a toda a hora, do seu cheiro. Do seu rosto. Da sua voz.
De tudo. E tudo à minha volta me fazia lembrar dela. A sua presença estava marcada por toda a parte.
A água da chuva produzia o seu nome em melodias suaves ao bater nos troncos secos e ressequidos das árvores.
Bella...Bella...Bella.
Soava como uma melodia triste, doce e dolorosa.
A batida ritmada das asas dos pássaros que voavam livremente sob o céu correspondia quase na perfeição à batida do seu coração.
O brilho leve do Sol ao embater na camada fluida do rio pintava o sorriso resplandecente do seu rosto.
E de cada vez que algo acontecia, a agonia profunda continuava a espezinhar-me em direcção ao fundo do abismo.
Imortal.
Talvez tivesse acraditado nisso até certo ponto. Até certa altura. Mas agora, já não.
Não, porque eu conseguia senti-las. As feridas em carne viva que enfeitavam cada milímetro do meu corpo.
Podiam ser invisíveis aos olhos de todos, mas faziam-se sentir. Dolorosa e violentamente.
O sentimento de perda sobrepunha-se aos outros de dor, tristeza, solidão, agonia e ódio.
Quando eu a abandonara, abandonara também o meu coração parado.
Assim que virei costas, tudo o que estava dentro de mim me fora arrancado, mas o espaço não tinha ficado vazio por muito tempo.
Não tinha forças para me mexer. Não sabia ao certo há quanto tempo estaria deitado sob aquele chão verde e húmido. Talvez dois, três, quatro meses.Talvez anos. Não teria dado por isso.
Não caçava há muito, muito tempo. A última vez que o fizera foi dia 13 de Satembro, às seis da manhã.
Quando me preparava para estar com...ela.
As chamas eclodiam na minha garganta, mas a dor era mais profunda que a sede.
Já por várias vezes pensara dirigir-me a Itália, no entanto Alice ter-me-ia visto. E eu não queria magoá-la. Nem ao resto da família.
Tanto quanto me fora dito na semana passada, eles estavam bem e felizes, dentro dos possíveis.
Tentaram novamente convencer-me a ir ter com eles, a viver novamente.
Mas eu não podia aceitar.
Eu estava catatónico, transformado numa autêntica estátua, por dentro e por fora.
Se eles me vissem assim...
Nem queria pensar nisso.
No entanto, não tinha mais nada para pensar.
Tinha arruinado para sempre a minha existência.
Durante os próximos sessenta anos teria de limitar-me a viver em agonia. Mas quando ela deixasse este mundo...eu iria atrás dela.
Sem hesitar.
publicado por mrsCullen às 00:01