Fanfic: "Reminescence" - Mariana - 11º Capítulo

"Reminescence" - Mariana - 11º Capítulo

 

 

*Dezembro*



"Noite Feliz,
Noite de amor,
Tocam os sinos (...) "



Tic-tac, tic-tac, tic-tac.
O ponteiro dos segundos do relógio da torre marcava as horas com um baque ritmado e perfeito.
Cada toque, cada segundo que passava equivalia a uma nova gota de azeite e sal nas minhas feridas.
O cheiro das palhas dos pinheiros queimava-me o nariz.
O aroma das bolachas a sair do forno embrenhava-se no ar.
As cantorias afinadas e felizes embrulhavam delicadamente os flocos de neve numa melodia suave.
E eu apenas sentia vontade de acabar com tudo aquilo.
Para mim, tudo passava de uma farsa encenada apenas para me irritar e me esfregar na cara o estado lastimável em que me encontrava, como se fosse um espelho polido e brilhante.
O maldito aparelho que repousava no meu bolso direito tremia com violência, há cerca de duas horas que não parava.
Certamente que era Alice ou Esme.
Peguei nele e atirei-o com violência contra à árvore mais próxima. Desfez-se em mil pedaços que aterraram no chão com um baque surdo e inaúdivel aos ouvidos menos sensíveis.
Já estava farto daquilo, da vida monótona que levava...mas a dor entorpecia-me e colava-me os músculos uns aos outros. Não me dava qualquer hipótese de movimento.
Só me restava continuar à deriva...num mar de sofrimento indolente.


***



Um cheiro familiar chamou-me a atenção. Era um cheiro doce, característico de um...vampiro.
Conhecia aquele odor de algum lado. Não era nenhum membro da minha família, o que me deixou menos alerta. Mas irritava-me não saber qual a origem do sentimento de reconhecimento.
Comecei por seguir o rasto sem grandes cuidados. O mais certo era tratar-se de qualquer um nómada da nossa espécie mas, ao menos, teria algo para me desviar a atenção.
Por esta altura, qualquer tipo de distracção era bem-vinda, desde que me afastasse durante o mais mísero milésimo segundo da dor agonizante.
Comecei a correr. Enfiei-me pelo mato seco para não ser visto por nenhum humano.
Quem quer que fosse, deslocava-se a toda a velocidade, mas ainda não tinha percebido que estava a seguir no seu encalço. Pelo menos, a sua mente não dava mostras disso.
Continuei a correr, mas vi-me obrigado a acelarar cada vez mais o passo. Ele ou ela corria demasiado depressa.
O odor tornava-se cada vez mais familiar e, de repente, fui envolvido numa espiral de recordações...
Bella...na clareira, com a minha família...James...Laurent...Victoria.
Victoria!
Ela...ela andava atrás de Bella! Queria matá-la...era nisso que a sua mente se concentrava a fundo...nas formas de poder...acabar com ela.
De maneiras torturantes. Para o vingar. Àquele sádico do James.
Companheiro por companheiro.
Um rugido atroador surgiu da minha garganta e não demorou muito até a corrida se transformar numa perseguição a fundo.

publicado por mrsCullen às 00:02