Fanfic: "Reminescence" - Mariana - 13º Capítulo

"Reminescence" - Mariana - 13º Capítulo

 

*Janeiro*



Quando já não há nada a fazer.
Quando já não há nada a temer nem a recear.
Quando nos sentimos tão perto do abismo e somos demasiado cobardes para dar o passo final.
Quando parece que o nosso Mundo parou de girar e está a ser lentamente derretido pelo Sol.
Quando o céu está cada vez mais perto de nos engolir.
Aí sabemos que está  tudo acabado.
A nossa vida, principalmente. Essa, para mim, já estava acabada há muito tempo.
Há escassos meses eu pensara encontrar-me mergulhado na mais profunda das agonias. Pensava que tudo já tinha descambado, que não havia sofrimento mais doloroso que aquele que eu estava a viver.
Mas agora eu estava pior. Muito pior.
A cada minuto que passava, mais um pouco de mim me era arrancado da pior maneira possível apenas para ser reposto no seu lugar e, quando eu pensava já estar descansado, era novamente torturado, dilacerado, por dentro e por fora.
Por esta altura, não conseguia pensar em mais nada. A minha mente estava a zero, não era capaz de pensar nitidamente.
O mais longe que conseguia ir era estabelecer uma única comparação. Que esta dor era muito mais dilacerante, muito mais agonizante, muito mais...profunda do que aquela que eu sentira segundos após Carlisle me ter mordido e os três dias posteriores a esse.
Nem sequer era justo chamar comparação a algo que não tinha comparação possível. Eu teria aguentado a transformação vezes e vezes sem conta se isso me proporcionasse algum tipo de escape a esta dor.
O futuro que se estendia à minha frente era um enorme vazio. Se eu pedisse a Alice que o tentasse prever ela apenas veria negro. Penumbra e nada mais que isso.
Ouvi o piar de curujas ao longe e alguns passos.
Certamente algum montanhista que se afastara do trilho.
Corri , embrenhando-me ainda mais nas profundezas da densa floresta cor de jade.
Um raio de sol ultrapassou as densas camadas de vegetação e incidiu sobre a minha pele, fazendo-a rebrilhar face à sua luz.
Os passos ficavam cada vez mais longe à medida que corria, mas continuei.
Por precaução, afastara-me o máximo possível de povoações humanas. Eu não estava lúcido e não queria cometer algum deslize.
A pouca consciência que ainda me restava, alertara-me para manter a distância dessa espécie desde o ínicio. O início do meu fim.
Continuei a correr a só parei quando cheguei perto do rio que cortava a meio a floresta.
publicado por mrsCullen às 00:01